Carga tributária do Brasil sobe para 32,4% do PIB em 2025, maior valor da série histórica
Por: Bruna Lessa
Fonte: O Globo
Em 2025, a carga tributária bruta (CTB) do governo brasileiro (governo federal,
governos estaduais e municipais) foi de 32,40% do PIB, o que representa um
aumento de 0,18 p.p. do PIB em relação a 2024, de acordo com dados divulgados
nesta sexta-feira pelo Tesouro Nacional. É a maior carga tributária do país desde
2010, quando começa a série histórica do Tesouro.
Os dados estão no Boletim de Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo
Geral de 2025, publicado nesta sexta-feira pelo Tesouro Nacional. A estimativa da
carga tributária corresponde à razão entre o total dos tributos arrecadados pelas
três esferas de governo e o Produto Interno Bruto (PIB).
O Boletim segue o padrão do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 2014
do FMI. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é o órgão responsável pela
publicação do dado oficial da carga tributária no Brasil.
No governo federal, o aumento da carga tributária foi impulsionado
principalmente pela maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte
(IRRF), com acréscimo de 0,23 p.p. do PIB, refletindo o crescimento da massa
salarial. Também contribuíram o aumento do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF), em 0,10 p.p. do PIB, associado a operações de câmbio e crédito,
e a elevação de 0,12 p.p. do PIB nas contribuições ao Regime Geral da Previdência
Social, influenciada pela expansão do emprego formal e pela reoneração da folha.
Na esfera estadual, houve redução de 0,09 p.p. do PIB na carga tributária,
explicada principalmente pela queda relativa na arrecadação do ICMS. Apesar do
crescimento nominal da receita, esse aumento foi inferior ao do PIB, refletindo a
composição do crescimento econômico, mais concentrado em setores com
menor incidência do imposto.
Por fim, nos municípios, a carga tributária aumentou 0,03 p.p. do PIB, puxada
principalmente pelo crescimento da arrecadação do ISS (0,02 p.p.), em linha com
a expansão do setor de serviços. Os impostos sobre a propriedade, como o IPTU,
também contribuíram, ainda que em menor magnitude, enquanto os demais
componentes permaneceram estáveis.
Por setor
A composição da carga tributária manteve-se relativamente estável em 2025. Os
impostos sobre bens e serviços continuam como principal componente, apesar
de leve redução em proporção do PIB (de 13,87% para 13,78%). Já os impostos
sobre renda, lucros e ganhos de capital registraram aumento (de 9,04% para
9,16% do PIB).
Entre as contribuições sociais, as destinadas ao RGPS cresceram (de 5,28% para
5,40% do PIB), refletindo a expansão do mercado de trabalho, enquanto as
contribuições para o RPPS permaneceram praticamente estáveis.